ESTUDO · 09 de agosto de 2026 · 2.675.550 produtos com NCM

O código fiscal mais usado do varejo brasileiro se chama “Outras”

O código de classificação fiscal mais usado no varejo brasileiro é o 3305.90.00. Sua descrição oficial na tabela NCM é uma palavra: “Outras”. Ele aparece em 76.168 produtos — e não é exceção: 34,4% de todo o catálogo está classificado num código residual, aquele que existe para recolher o que não se encaixou em nenhum item nomeado.
34,4%
dos produtos estão num NCM residual
920.125 de 2.675.550 com NCM
86
códigos cobrem metade do catálogo
de 4.906 NCMs em uso
3,7% → 62,8%
a taxa residual entre vestuário e brinquedos
a tabela é detalhada em um, grossa no outro

Uma minoria de códigos classifica quase tudo

Quantos NCMs distintos bastam para cobrir cada fatia dos 2.675.550 produtos

86 códigos cobrem
50%(86)
367 códigos cobrem
80%(367)
665 códigos cobrem
90%(665)

Existem 4.906 NCMs em uso na base. Menos de 2% deles — 86 códigos — já respondem por metade dos produtos, e 665 cobrem 90%. Para quem monta regras fiscais em ERP, isso é uma boa notícia prática: acertar algumas dezenas de códigos resolve a maior parte do volume. Navegue a tabela inteira por capítulo fiscal.

Os 10 códigos mais usados do varejo brasileiro

Participação sobre o total de produtos com NCM — metade deles é residual

33059000Outras — preparações capilares
2,85%(76.168)
39241000Serviços de mesa e utensílios de cozinha, de plástico
2,62%(70.227)
64022000Calçado com parte superior em tiras ou correias
2,1%(56.138)
39249000Outros — artigos de higiene/toucador de plástico
1,96%(52.539)
21069030Complementos alimentares
1,43%(38.147)
95030099Outros — brinquedos
1,28%(34.194)
39252000Portas, janelas e seus caixilhos, de plástico
1,22%(32.639)
49019900Outros — livros e impressos
1,21%(32.391)
39269090Outras — obras de plástico
1,19%(31.714)
33043000Preparações para manicuros e pedicuros
1,17%(31.197)

Cinco dos dez códigos mais usados do país são residuais — em destaque na lista. O primeiro colocado, 3305.90.00, cobre tudo que é preparação capilar e não é xampu, permanente ou laquê: cremes, óleos, finalizadores, máscaras. São produtos bem diferentes entre si dividindo o mesmo código.

Quanto do varejo está em “Outros”

Três recortes do mesmo fenômeno, sobre os 2.675.550 produtos com NCM

Descrição oficial começa por “Outros/Outras”
34,39%(920.125)
Código terminado em 90 ou 99
19,57%(523.656)
Código sem descrição na tabela
0,77%(20.563)

Os dois primeiros recortes se sobrepõem parcialmente — nem todo residual termina em 90 ou 99, e nem todo código terminado assim é residual. O número que importa é o primeiro, que lê a descrição oficial: 920.125 produtos. E vale dizer com todas as letras: isso não é erro de classificação. Quando nenhum item específico descreve a mercadoria, o residual é a classificação correta — é exatamente para isso que ele existe.

Não é peculiaridade de uma fonte

Taxa de NCM residual dentro de cada origem de dados da base

Pet
79%de 22.104
Autopeças
54,6%de 114.449
Mercado Livre
38,4%de 228.876
Farmácia
38%de 47.546
Construção
35%de 191.307
Núcleo cadastral
32,2%de 2.066.111
Alimentos
22,7%de 5.157

A crítica previsível seria dizer que o número vem de uma base específica mal classificada. Ele aparece em todas as origens, de 22,7% a 79%. O núcleo cadastral, que é a maior fonte e tem origem fiscal, fica em 32,2% — praticamente a média geral. O fenômeno é da tabela, não do cadastro.

A taxa residual mede a tabela, não o classificador

Percentual de produtos em NCM residual, por capítulo fiscal

62,8%de 158.824
33,9%de 74.969
23,4%de 91.342
18,7%de 73.010
16%de 89.901
3,7%de 100.689

A distância entre os extremos explica o fenômeno melhor que qualquer média. Vestuário de malha tem apenas 3,7% de residual porque a tabela é minuciosa ali: separa por tipo de peça, fibra e construção, e quase todo produto acha um item que o descreve. Brinquedos chega a 62,8% porque a estrutura é grossa — nomeia poucos tipos e manda o resto para o residual. A taxa mede o descompasso entre a variedade real do mercado e o detalhamento da tabela, não o cuidado de quem classifica.

Por que isso importa na prática

Um código residual é correto, mas é impreciso por construção: ele reúne mercadorias que só têm em comum o fato de não serem nenhuma das outras. Isso tem três efeitos concretos.

Substituição tributária. A aplicabilidade do regime costuma ser definida por NCM, às vezes combinada com descrição. Quando o código é residual, dois produtos distintos podem cair no mesmo NCM com tratamentos diferentes — e a decisão passa a depender da descrição, não do código. Nossa ferramenta de CEST por NCM mostra bem esse limite: nem todo NCM leva a um CEST único.

Fiscalização. Códigos residuais concentram mais questionamento justamente porque são a saída fácil de uma classificação difícil — e a distinção entre “é realmente residual” e “não procurei o item específico” só aparece na auditoria.

Comparação de mercado. Qualquer análise que agrupe por NCM vai misturar coisas diferentes em um terço dos casos. É um limite que vale ter em mente antes de tirar conclusões de dados agregados por classificação fiscal — inclusive dos nossos.

Metodologia e limitações

  • Amostra: 2.675.550 produtos com NCM de 8 dígitos, de um total de 2.935.018 no catálogo em 09 de agosto de 2026. Produtos sem NCM ficaram fora — a análise descreve como o que está classificado se distribui, não a cobertura da classificação.
  • Definição de residual: código cuja descrição oficial registrada na nossa tabela NCM começa por “Outros” ou “Outras”, seguindo a convenção da NCM/SH de fechar cada posição com um item que recolhe o não nomeado. Códigos sem descrição na tabela (20.563, 0,77%) não foram contados como residuais.
  • Residual não é incorreto: a classificação em item residual é a correta quando nenhum item específico descreve a mercadoria. Este estudo mede quanto do varejo cai nessa situação, não quantos produtos estão mal classificados — algo que só uma auditoria caso a caso poderia dizer.
  • NCM inferido: 13.196 produtos (0,5% dos com NCM) tiveram o código inferido pela categoria dominante, não informado pela fonte. O volume é pequeno demais para alterar qualquer percentual deste estudo.
  • Viés amostral: o catálogo reúne fontes com perfis distintos e não é uma amostra probabilística do varejo brasileiro. O recorte por origem existe para mostrar que o achado não depende de uma fonte específica, mas o valor exato de cada percentual varia com o mix.

Citação sugerida: ConsultaProdutos (2026). O código fiscal mais usado do varejo brasileiro se chama “Outras”. Disponível em consultaprodutos.com.br/estudos/ncm-outros-varejo. Este conteúdo pode ser reproduzido com atribuição e link.

Perguntas frequentes

O que é um NCM residual?

É o item que fecha cada posição da tabela NCM recolhendo tudo que não se encaixou nos itens nomeados. Na tabela, ele aparece com a descrição “Outros” ou “Outras”. Exemplo: a posição 3305 trata de preparações capilares e nomeia xampus, permanentes e laquês; o que for preparação capilar mas não for nenhum desses três vai para 3305.90.00 — “Outras”.

Classificar em “Outros” está errado?

Não. Quando nenhum item específico descreve a mercadoria, o residual é a classificação correta — é para isso que ele existe. O problema não é de certo ou errado, é de precisão: um código residual reúne produtos muito diferentes entre si, o que dificulta determinar substituição tributária, alíquotas e benefícios, e costuma atrair mais atenção em fiscalização do que um código específico.

Por que brinquedos têm 62,8% de residual e vestuário só 3,7%?

Porque a granularidade da tabela varia muito entre setores. O vestuário é detalhado por tipo de peça, fibra e construção, então quase todo produto encontra um item específico. Brinquedos e plásticos têm estrutura mais grossa: a tabela nomeia poucos tipos e joga o resto no residual. A taxa residual mede o descompasso entre a variedade real do mercado e o detalhamento da tabela — não o cuidado de quem classifica.

A concentração de 86 códigos cobrindo metade do catálogo é normal?

É o comportamento esperado de uma distribuição de cauda longa, mas a magnitude chama atenção: existem 4.906 NCMs em uso na base e menos de 2% deles respondem por metade dos produtos. Para quem monta regras fiscais em ERP, isso é uma boa notícia prática — acertar algumas dezenas de códigos resolve a maior parte do volume.

De onde vêm os dados deste estudo?

Do catálogo do ConsultaProdutos em agosto de 2026: 2.675.550 produtos com NCM de 8 dígitos, de um total de 2.935.018. A marcação de residual foi feita comparando cada código com a descrição oficial registrada na nossa tabela NCM, considerando residual todo item cuja descrição começa por “Outros” ou “Outras”.

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