O código fiscal mais usado do varejo brasileiro se chama “Outras”
Uma minoria de códigos classifica quase tudo
Quantos NCMs distintos bastam para cobrir cada fatia dos 2.675.550 produtos
Existem 4.906 NCMs em uso na base. Menos de 2% deles — 86 códigos — já respondem por metade dos produtos, e 665 cobrem 90%. Para quem monta regras fiscais em ERP, isso é uma boa notícia prática: acertar algumas dezenas de códigos resolve a maior parte do volume. Navegue a tabela inteira por capítulo fiscal.
Os 10 códigos mais usados do varejo brasileiro
Participação sobre o total de produtos com NCM — metade deles é residual
Cinco dos dez códigos mais usados do país são residuais — em destaque na lista. O primeiro colocado, 3305.90.00, cobre tudo que é preparação capilar e não é xampu, permanente ou laquê: cremes, óleos, finalizadores, máscaras. São produtos bem diferentes entre si dividindo o mesmo código.
Quanto do varejo está em “Outros”
Três recortes do mesmo fenômeno, sobre os 2.675.550 produtos com NCM
Os dois primeiros recortes se sobrepõem parcialmente — nem todo residual termina em 90 ou 99, e nem todo código terminado assim é residual. O número que importa é o primeiro, que lê a descrição oficial: 920.125 produtos. E vale dizer com todas as letras: isso não é erro de classificação. Quando nenhum item específico descreve a mercadoria, o residual é a classificação correta — é exatamente para isso que ele existe.
Não é peculiaridade de uma fonte
Taxa de NCM residual dentro de cada origem de dados da base
A crítica previsível seria dizer que o número vem de uma base específica mal classificada. Ele aparece em todas as origens, de 22,7% a 79%. O núcleo cadastral, que é a maior fonte e tem origem fiscal, fica em 32,2% — praticamente a média geral. O fenômeno é da tabela, não do cadastro.
A taxa residual mede a tabela, não o classificador
Percentual de produtos em NCM residual, por capítulo fiscal
A distância entre os extremos explica o fenômeno melhor que qualquer média. Vestuário de malha tem apenas 3,7% de residual porque a tabela é minuciosa ali: separa por tipo de peça, fibra e construção, e quase todo produto acha um item que o descreve. Brinquedos chega a 62,8% porque a estrutura é grossa — nomeia poucos tipos e manda o resto para o residual. A taxa mede o descompasso entre a variedade real do mercado e o detalhamento da tabela, não o cuidado de quem classifica.
Por que isso importa na prática
Um código residual é correto, mas é impreciso por construção: ele reúne mercadorias que só têm em comum o fato de não serem nenhuma das outras. Isso tem três efeitos concretos.
Substituição tributária. A aplicabilidade do regime costuma ser definida por NCM, às vezes combinada com descrição. Quando o código é residual, dois produtos distintos podem cair no mesmo NCM com tratamentos diferentes — e a decisão passa a depender da descrição, não do código. Nossa ferramenta de CEST por NCM mostra bem esse limite: nem todo NCM leva a um CEST único.
Fiscalização. Códigos residuais concentram mais questionamento justamente porque são a saída fácil de uma classificação difícil — e a distinção entre “é realmente residual” e “não procurei o item específico” só aparece na auditoria.
Comparação de mercado. Qualquer análise que agrupe por NCM vai misturar coisas diferentes em um terço dos casos. É um limite que vale ter em mente antes de tirar conclusões de dados agregados por classificação fiscal — inclusive dos nossos.
Metodologia e limitações
- Amostra: 2.675.550 produtos com NCM de 8 dígitos, de um total de 2.935.018 no catálogo em 09 de agosto de 2026. Produtos sem NCM ficaram fora — a análise descreve como o que está classificado se distribui, não a cobertura da classificação.
- Definição de residual: código cuja descrição oficial registrada na nossa tabela NCM começa por “Outros” ou “Outras”, seguindo a convenção da NCM/SH de fechar cada posição com um item que recolhe o não nomeado. Códigos sem descrição na tabela (20.563, 0,77%) não foram contados como residuais.
- Residual não é incorreto: a classificação em item residual é a correta quando nenhum item específico descreve a mercadoria. Este estudo mede quanto do varejo cai nessa situação, não quantos produtos estão mal classificados — algo que só uma auditoria caso a caso poderia dizer.
- NCM inferido: 13.196 produtos (0,5% dos com NCM) tiveram o código inferido pela categoria dominante, não informado pela fonte. O volume é pequeno demais para alterar qualquer percentual deste estudo.
- Viés amostral: o catálogo reúne fontes com perfis distintos e não é uma amostra probabilística do varejo brasileiro. O recorte por origem existe para mostrar que o achado não depende de uma fonte específica, mas o valor exato de cada percentual varia com o mix.
Citação sugerida: ConsultaProdutos (2026). O código fiscal mais usado do varejo brasileiro se chama “Outras”. Disponível em consultaprodutos.com.br/estudos/ncm-outros-varejo. Este conteúdo pode ser reproduzido com atribuição e link.
Perguntas frequentes
O que é um NCM residual?
É o item que fecha cada posição da tabela NCM recolhendo tudo que não se encaixou nos itens nomeados. Na tabela, ele aparece com a descrição “Outros” ou “Outras”. Exemplo: a posição 3305 trata de preparações capilares e nomeia xampus, permanentes e laquês; o que for preparação capilar mas não for nenhum desses três vai para 3305.90.00 — “Outras”.
Classificar em “Outros” está errado?
Não. Quando nenhum item específico descreve a mercadoria, o residual é a classificação correta — é para isso que ele existe. O problema não é de certo ou errado, é de precisão: um código residual reúne produtos muito diferentes entre si, o que dificulta determinar substituição tributária, alíquotas e benefícios, e costuma atrair mais atenção em fiscalização do que um código específico.
Por que brinquedos têm 62,8% de residual e vestuário só 3,7%?
Porque a granularidade da tabela varia muito entre setores. O vestuário é detalhado por tipo de peça, fibra e construção, então quase todo produto encontra um item específico. Brinquedos e plásticos têm estrutura mais grossa: a tabela nomeia poucos tipos e joga o resto no residual. A taxa residual mede o descompasso entre a variedade real do mercado e o detalhamento da tabela — não o cuidado de quem classifica.
A concentração de 86 códigos cobrindo metade do catálogo é normal?
É o comportamento esperado de uma distribuição de cauda longa, mas a magnitude chama atenção: existem 4.906 NCMs em uso na base e menos de 2% deles respondem por metade dos produtos. Para quem monta regras fiscais em ERP, isso é uma boa notícia prática — acertar algumas dezenas de códigos resolve a maior parte do volume.
De onde vêm os dados deste estudo?
Do catálogo do ConsultaProdutos em agosto de 2026: 2.675.550 produtos com NCM de 8 dígitos, de um total de 2.935.018. A marcação de residual foi feita comparando cada código com a descrição oficial registrada na nossa tabela NCM, considerando residual todo item cuja descrição começa por “Outros” ou “Outras”.
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